quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Instituto Cidade de Cataguases e Instituto Fábrica do Futuro

Djlama Dutra, César Piva e Gustavo Baldez

O Instituto Cidade de Cataguases  é uma associação criada em 2003 em torno de uma rede cooperação horizontal na perspectiva de um projeto de longo prazo, de interesse público, com meta de impacto geracional. Desde então é mantido através da realização de diversos projetos com recursos provenientes de fundos públicos, leis de incentivo, parcerias, patrocínios e prestação de serviços, integrando um amplo “Programa de Cultura e Desenvolvimento Local”, iniciado em 2002 em Cataguases, envolvendo inúmeras lideranças culturais, educacionais, empresarias e sociais, de instituições da sociedade civil, empresas e governos na região.

O ICC ganhou visibilidade a partir de 2004 com o “Projeto Arquitetura Pública” realizado através de parceria com a Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais, a Prefeitura Municipal de Cataguases, o CREA-MG e Caixa Econômica Federal. A iniciativa criou um programa inovador de casas populares com perfis diferenciados de acordo com o gosto de seus proprietários e no auxiliou aos municípios de Cataguases, Muriaé e Leopoldina em suas políticas de planejamento urbano, habitação social e preservação do patrimônio cultural. Nesse período outro destaque foi o “Projeto Escola de Cidadania” em parceria com a ONG Cidade, a Universidade Federal de Juiz de Fora e Prefeitura Municipal de Cataguases, na realização de um programa de formação de novas lideranças juvenis e comunitárias. 

Em 2005, com a inauguração da Fábrica do Futuro – Incubadora Cultural do Audiovisual e das Novas Tecnologias – realizou suas primeiras ações de formação, em especial, para e com a juventude local, com objetivo da criação e a difusão de conteúdos audiovisuais, culturais e educativos além de buscar, na apropriação social de novas tecnologias, a promoção de oportunidades para modelos de trabalho e empreendimento. Com isso, sob os auspícios da Fábrica do Futuro estão os projetos de criação coletiva do audiovisual, animação e tecnologias.

 A “Rede Geração Digitaligada de Webvisão” é, segundo seu gestor César Piva, o projeto de maior importância e estruturador nesse momento: “Através dele foi possível gerar uma experiência de web TV que não só exibe os conteúdos produzidos pela Fábrica e de seus parceiros nos mais diversos projetos, mas, especialmente possibilita criar um ambiente de trabalho criativo inovador, uma primeira ação em rede e a distância envolvendo coletivos de jovens em inúmeras cidades mineiras”. A Fábrica do Futuro traz em sua dimensão inaugural a missão de estimular o estabelecimento de redes criativas de cooperação e produção audiovisual colaborativa em rede. A partir de então são diversos projetos: “Conexão Digital”, “Fábrica Animada”, “Rede Lab”, “Caravana Digital”, todos em parceria com o “Programa Vivo Lab”. Outra importante ação é o “Projeto Cidades Invisíveis”, com a formação, capacitação e difusão cultural em todo o estado de Minas Gerais em colaboração com a Rede Minas de Televisão e o Ponto de Cultura Contato – Centro de Referência da Juventude de Belo Horizonte. Pauta-se pelos debates que circunscrevem a TV Pública, a Convergência Digital e a diversidade cultural mineira. Para Gustavo Baldez, seu coordenador do Núcleo Multimídia, “todo este conhecimento gerado e acumulado é cultura e conhecimento que precisa, portanto, ser registrado e disseminado. Para tal, a Fábrica do Futuro criou a “Plataforma de Produção Audiovisual em Rede” – PROAR – que estamos usando em diversas ações, projetos, festivais para criação e produção à distância”.

 Em 2008 a Fábrica do Futuro deixa de ser um projeto cultural e ganha a dimensão institucional com a fundação do Instituto Fábrica do Futuro, que assume definitivamente a vocação de formação, criação e produção com foco no audiovisual, mídias digitais e nas novas tecnologias. 

A partir de então, cabe ao ICC a gestão mais ampla do Programa de Desenvolvimento Local com destaque para: o “Festival Ver e Fazer Filmes” que em parceria com a Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho e o Grupo Energisa, realiza evento voltado para jovens e adultos, estudantes, educadores e profissionais de cinema dos países de língua portuguesa, em especial, Brasil, África e Portugal; no “Fórum DiverCidades Criativas”, em parceria com o Sebrae Minas, destinado a pensar e criar ações de cultura como instrumento de economia criativa, bem como, promover ações consorciadas de políticas públicas entre prefeituras, empresas e instituições da região; no “Projeto Tela Viva de Cultura e Cidadania” que em parceria com o Instituto Votorantim, da acesso ao cinema nacional aos moradores de bairros e distritos rurais de 6 cidades da Zona da Mata Mineira: Cataguases, Muriaé, Itamarati de Minas, Mirai, São Sebastião da Vargem Alegre e Descoberto; e na implantação do Pólo Regional da Zona da Mata, que se destina ao implantar um arranjo criativo e produtivo do setor, envolvendo as produções já existentes e de novas criações para que possam se transformar num ativo econômico que gere oportunidades de renda, trabalho, negócios e uma nova economia na região. 

 Ampliando esta atuação, em 2011, realizou o “Projeto Memória e Patrimônio Cultural de Cataguases”, através do trabalho de seus agentes culturais, em especial de seu coordenador e mentor intelectual, Paulo Henrique Alonso, e da colaboração de educadores e instituições culturais locais. A iniciativa retomou as reflexões sobre a memória e patrimônio da cidade de Cataguases, inspirada na que foi iniciada em 1988, quando a Prefeitura Municipal de Cataguases convidou a antiga SPHAN/Fundação Nacional Pró-Memória a auxiliá-la no resgate da cultura e memória cataguasense.  Foram feitas pesquisas de história oral, memória visual, evolução urbana, inventário de bens móveis e pesquisa documental. Desta ação, resultaram registros de memória oral publicados em 1988, 1990 e 1996 e um grande acervo de fotografias antigas que estão catalogadas no Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico de Cataguases (DEMPHAC). Com a retomada e o aprofundamento do projeto e sua adequação à realidade atual fazendo uso dos recursos oferecidos pelas tecnologias e as novas mídias digitais foi produzido um sítio eletrônico, espaço virtual para compartilhamento de conteúdos relativos à memória da cidade e seus personagens: registros de memória oral, fotografias e demais materiais iconográficos, micro-relatos e estudos sobre a cidade. A culminância do Projeto se deu com o “Seminário Memória e Patrimônio Cultural”, com a publicação da segunda edição dos três primeiros volumes e um quarto, produzido em 2011. A intenção dos idealizadores é que esse “trabalho seja contínuo e que a memória de Cataguases possa ser registrada periodicamente, através das memórias pessoais daqueles que fazem a história da cidade”. 

Em 2012, o ICC alcança resultados que somam dez anos de trabalho de uma rede local de cooperação e inovação social. Para seu gestor Djlama Dutra: "Uma ação que recoloca Cataguases não só na vanguarda de criação e produção cultural, bem como, a região passa a ser referência e modelo indutor de economia criativa e de políticas públicas, sobretudo, de juventude, cultura e educação".

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